segunda-feira, 2 de março de 2015

Diário de uma paixão - 9º capítulo

9- Ele decide abrir-se comigo e o inesperado acontece
Na noite anterior, não tinha dormido lá muito bem, e uma pergunta percorria todo o meu cérebro: ia ou não almoçar com ele? Por um lado, queria ir, porque assim mostrava-lhe que sou uma pessoa sem ressentimentos, mas por outro lado, não queria ir, porque estava chateada com ele. Mas pensando bem, eu própria não estava chateada com ele, eram os ciúmes que provocavam isso em mim, por isso, vesti o meu melhor vestido e aceitei finalmente ir almoçar com ele.
Quando cheguei a casa dele, não estava ninguém à minha espera e achei tudo muito estranho. Bati à porta e ninguém respondeu: será que ninguém estava em casa àquela hora do dia? Liguei para o telemóvel dele e nada, ninguém atendia. Achei que o melhor a fazer era voltar para casa e aceitar finalmente que ele era uma perda de tempo. Logo que comecei a dar os primeiros passos, começo a ouvir vozes e resolvo olhar à volta para ver quem era. Não vi ninguém e pensei que era eu que estava só a ouvir coisas, mas as vozes começaram a aumentar de tom e a ficar mais nítidas. Mas quanto mais olhava em volta, mais ficava confusa, até que sinto uma mão tocar-me nas costas, e claro que fiquei assustada, até uma voz familiar me sossegar:
- Não tenhas medo, sou só eu. Não me ouviste chamar-te? Eu estou no jardim a organizar as coisas. É lá que vamos almoçar.
- Ok. Vou agora mesmo para lá.
Sinceramente, aquela família faz-me arrepios, pois, de cada vez que vou a casa dele, aparece sempre alguém que resolve assustar-me. Depois deste susto, espero não repetir a dose.
Quando cheguei ao jardim, a primeira coisa que vi foi uma mesa recheada de coisas que faziam água na boca, mas fiquei admirada por só haver dois pratos na mesa:
- Espero que não te assustes, mas o meu pai teve de sair. Ele ainda quis que eu fosse com ele, mas eu disse que tinha combinado almoçar contigo e aí ele compreendeu. Não foi tudo feito por mim, claro que tive uma ajudinha, mas espero que gostes.
- Espera aí: tu praticas basquetebol, natação e sabes cozinhar? Haverá mais alguma coisa que não saiba acerca de ti?
- Bem, nunca fiz isto, mas se estiveres disposta a ouvir a minha história, irás perceber tudo.
O quê? Finalmente alguém iria abrir-se comigo, e ainda por cima ele? Mas disposta a ouvir a razão pela qual ele sabia fazer todas aquelas coisas, sentei-me e dei-lhe a palavra:
- A minha mãe é a chave deste “mistério” que paira sobre mim, e como não é difícil de perceber, eu sou órfão de mãe. Ela morreu quando eu tinha dez anos, mas antes de morrer, ela achou que deveria ensinar-me tudo aquilo que sabia, e hoje em dia, posso agradecer-lhe tudo aquilo que ela fez por mim. Quando ela estava grávida de mim, o meu pai teve de ir trabalhar para França, e ela não pôde ir com ele. Ao fim de uns meses, eu nasci e foi aí que ela soube que estava muito doente, e o médico não lhe deu muito tempo de vida, mas disse-lhe que se ela tomasse a medicação correta, que poderia viver mais algum tempo, e foi isso que aconteceu. Durante os seus últimos dez anos de vida, ela ensinou-me tudo aquilo que sabia, pois achava que todo o seu conhecimento não deveria ir para a sepultura. Ensinou-me basquetebol, que era a sua paixão, depois seguiu-se a natação, desporto em que ela se sagrou campeã de muitas competições, e na reta final da sua doença, ensinou-me a cozinhar, algo que ela adorava, e que posso dizer que foi algo que nunca irei esquecer. E esta é a minha história. Como podes ver, não é nada do outro mundo.
- Mas é através dessas coisas que não são nada do outro mundo, que nascem pessoas extraordinárias como tu.

Depois de almoçarmos, lembrei-me que tinha umas coisas para fazer, e resolvi ir para casa. Ele acompanhou-me até à porta, e foi aí que o inesperado aconteceu: ele beijou-me! Ali, naquele momento, senti imensas coisas, mas achei que o melhor a fazer era ir embora, pois ainda não me sentia preparada para lhe dizer tudo o que sentia por ele. Corri o mais depressa que pude para casa e foi no meu quarto que me desfiz em lágrimas.

Diário de uma paixão - 8º capítulo

8- Um imprevisto familiar intromete-se no meu caminho e os ciúmes começam a fazer das suas
No dia combinado, apareci mais cedo em sua casa, e que casa! Era a maior que já tinha visto e fazia-me lembrar os palácios das histórias que ouvia quando era mais nova, e por momentos, senti que tinha recuado no tempo e que estava na época dos reis e das rainhas, sendo eu uma princesa, quem sabe. 
Olhando em volta, os meus olhos avistaram algo magnífico e que parecia chamar-me: o campo de basquetebol. Aquele campo tinha tudo para ser perfeito, e só de olhar para ele até crescia água na boca, ou melhor, dava uma energia tremenda que só apetecia gastar, e nada melhor para fazê-lo do que jogar um jogo?
Estava tão distraída que nem reparei que alguém me tocava nas costas e voltei-me sobressaltada:
- Não tenha medo. Vinha mesmo só dizer-lhe que o seu “amigo” está à sua espera.
Naquele momento, as minhas faces ficaram coradas e fiquei a pensar: será que aquele era mesmo o meu admirador secreto? Para a criada dele dizer a palavra “amigo” naquele tom era porque ele nunca tinha levado nenhuma rapariga lá a casa, ou então era porque ele era daqueles que muda de namorada todas as semanas. Depois daquele momento estranho, tentei não pensar mais no assunto e resolvi seguir a criada até onde ela me levasse.
Passaram apenas uns segundos até avistar o “pão” da minha turma, e ali mesmo, fiquei novamente de boca aberta: ele também praticava natação? Ali mesmo, percebi que ambos tínhamos imensas coisas em comum e o assunto que o relacionava com o meu admirador secreto voltou a ser notícia principal na minha cabeça.
Enquanto a minha cabeça dava uma volta de 180 graus, a voz da criada interrompeu os meus pensamentos:
- Menino David, a sua madrasta diz que precisa de falar consigo e ficou à sua espera na sala de estar.
- Eu não acredito, só me faltava aturar essa mulher a esta hora do dia! Desculpa, Catarina, mas hoje não dá. Será que posso compensar-te por tudo o que aconteceu hoje convidando-te para almoçar em minha casa amanhã?
- Sim, claro, eu compreendo. A família está em primeiro lugar. Então, vemo-nos amanhã.
- Ok. Até amanhã.
Logo que me deixou sozinha, fiquei tão parada que parecia uma estátua. Como é que ele era capaz de me fazer aquilo?
Quando me vi em casa, fiquei assustada: a raiva que eu tinha sentido não era boa e ela poderia vir a estragar algo que eu pudesse vir a ter com ele. Como é que eu poderia mudar aquilo? Não sabendo a resposta às minhas perguntas, ainda fiquei mais assustada: os ciúmes já andavam a fazer das suas! 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Diário de uma paixão - 7º capítulo

7-  O começo de uma bela amizade
Já tinham passado duas semanas desde que a escola tinha começado e eu sentia que alguém olhava para mim com outros olhos, mas por mais que os procurasse, não os encontrava no meio de tanta gente. Apenas sentia que estavam bem perto de mim.
Naquele ano, a minha turma foi muito bem escolhida, pois tinha muitos amigos do ano anterior, que tiveram um “pequeno acidente” pelo caminho, mas também tinha outros que eram novos, e cada um impressionava-me mais que o outro. Só ainda não tinha trocado as “primeiras impressões” com o “pão” da minha turma. Mas algo estava para acontecer, e naquela altura, apenas desejava que fosse algo mesmo bom.
E tudo aconteceu numa quinta-feira de manhã. Eu tinha acabado de chegar à escola e estava bastante atrasada. Dirigia-me apressadamente para o cacifo, a fim de colocar lá dentro toda a “tralha indispensável”, mas os idiotas do décimo ano resolveram começar a melhorar a sua idiotice mais cedo, usando-me como brinquedo, ou mais concretamente, a minha mochila de educação física.
Eu não vinha com muita paciência de casa e eles acabaram por fazer com que perdesse o que ainda restava. Passou meia hora até eles pararem com as suas brincadeiras de idiotas e só depois consegui ir para a aula. Quem também não estava com muita paciência era a professora de português, por quem eu não tinha muita consideração, por ser ela a autora dos vários processos disciplinares que chegavam à minha DT, que por sua vez descarregava em cima de mim por não respeitar a professora. Comprovados os factos, ela é que não tinha o mínimo respeito por mim, e estava sempre com vontade de me matar. E naquele dia, ela tinha perdido toda a paciência por eu chegar atrasada novamente, e nem sequer me deixou entrar na sala. Pela primeira vez na vida posso agradecer-lhe por algo, pois ela ajudou-me a livrar da sua aula, que era a mais secante do dia.
Como não tinha nada para fazer resolvi ir até ao campo de jogos treinar um pouco de basquetebol, que era o meu desporto preferido. Primeiro, fiz um pequeno aquecimento com a bola e depois chegava a hora da acção, que era a minha parte preferida, mas que foi imediatamente interrompida e eu nem queria acreditar no que estava a ver à minha frente: o “pão” da minha turma jogava basquete? E para além disso, parecia ser uma pessoa bastante corajosa para faltar à aula de português, pois ele ainda nem tinha visto como a professora era de verdade, pois ela não era o “anjinho” que aparentava ser!
Voltando à realidade em poucos segundos, resolvi entrar no seu jogo, e que jogo! Ele deslizava com a audácia de um tigre e marcava cestos tão bons como um jogador profissional, mas eu também dei o meu melhor. No final do jogo, resolvi meter conversa com ele, e o resultado foi inesperado:
- Adorei este jogo, principalmente por ter um adversário à altura. Há quanto tempo é que jogas?
- Joguei desde os nove anos até aos doze no Sporting, e quando me mudei para a zona de Oeiras, resolvi tentar a minha sorte no Benfica, e desde então, tenho evoluído imenso.
- Eu, pelo contrário, não estou em nenhuma equipa, mas como tenho uma prima que está na equipa feminina do Benfica, estou a pensar seriamente em fazer os exames de apuramento na próxima época.
- Isso seria realmente bom, mas até lá, porque não combinamos outro jogo, e desta vez em minha casa? É que o meu pai mandou fazer um campo de basquetebol para treinar com os meus colegas de equipa, mas eles não puderam vir estreá-lo este fim-de-semana. Que achas?
- Bem, se não tiver nada combinado, poderei derrotar-te no próximo jogo. Mas vou precisar que me dês o teu número de telemóvel.
- Ok, e tu dás-me o teu.

Ambos trocámos os números de telemóvel e combinámos que o jogo iria ser feito às dez da manhã, no sábado. Depois daquele momento, nunca mais tive dúvidas de que aquele era o “tal”, e também consegui presenciar o começo de uma bela amizade. 

Diário de uma paixão - 6º capítulo

6-  O meu admirador secreto lembra-se que existo na melhor fase da minha vida
Pensei que o tempo ia mudar alguma coisa, mas não o fez, porque o mistério tornava-se cada vez mais denso, tal como uma “cortina” de nevoeiro.
Por outro lado, sentia que algo dentro de mim mudava, e nem era o peso ou a altura: acho que estava a apaixonar-me!
Antes de descobrir esta nova etapa da minha vida, apaixonar-se, notava que andava mais feliz, mais espontânea, mais distraída, e por mais estranho que pareça, estava também com mais vontade de participar nas aulas. Alguns professores, apenas aqueles que eu também tive no ano passado e que me conheciam bem, elogiaram e agradeceram o meu esforço, pois sabiam que eu não era uma rapariga muito ligada à escola.

Mas algo fez com que esta felicidade toda se desmoronasse: o meu admirador secreto entrou em contacto comigo! Mas o que é que eu fiz para merecer isto? Agradeço-lhe muito o facto de me ter tornado mais feliz, pois foi graças a ele que voltei a apaixonar-me, mas agora não estava com vontade nenhuma de voltar a entrar no “jogo” dele. Agora tinha de ser de vez, eu tinha de fazer uma pausa definitiva neste “jogo”. Para isso, guardei esta nova carta no meu cofre secreto que tive em criança e decidi que só iria abri-lo quando me sentisse preparada e desimpedida, já que estava a apaixonar-me, e eu não queria que ele se intrometesse. 

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Diário de uma paixão - 5º capítulo

5-  Demasiadas coincidências assustam-me
A partir daquele dia, o meu admirador secreto tornava este mistério mais sufocante e eu não aguentava mais: queria descobrir imediatamente quem me andava a mandar todos aqueles presentes e cartas de amor! Foi então que decidi analisar os factos, e como as aulas estavam a começar, decidi aproveitar esse momento em meu proveito: analisaria primeiro a minha turma, e logo de seguida seriam todos os outros alunos da escola, mas claro que haveria limites!
Quando faltavam apenas dois dias para as aulas começarem, convidei as minhas “best” para irem lá a casa saber das últimas novidades, mas também as convidei para ver se elas me conseguiriam ajudar um pouco neste mistério.     
- A Bárbara não pôde vir, mas disse para te contar as novidades que temos acerca do que nos disseste sobre essa história maluca. Como sabes, a “Bibi” é muito boa com computadores, e acedendo ao site da escola, depois de ter usado alguns “truques de magia”, ela conseguiu descobrir quem vai formar a tua turma, e o melhor está para vir: a tua turma ficou com o rapaz mais giro que eu já vi na minha vida, mas que é um bocado ignorante. Se vires a foto que ele tem no “face” até te passas!
Fomos ao facebook e fomos pesquisar o nome dele, e quando o vi, pensei que estava no céu: aquilo sim era um “pão”, mas não um “pão” qualquer, aquele era de fazer cair para o lado. Tinha os olhos mais brilhantes que já tinha visto, e nas fotos que tirou na praia, pude comprovar que tinha uns abdominais bem definidos. Para além disso, tinha um estilo bastante descontraído, o que a maioria dos rapazes que conheço não consegue ter.
Depois de me deliciar virtualmente com aquele “pão”, fiquei a contar tudo o que me tinha acontecido nos últimos dias, mencionando os presentes, a carta e a dedicatória, que até fez inveja à minha “best”. Depois da nossa conversa, ela foi-se embora e eu fiquei sozinha, a pensar no meu admirador, e a pensar como seria: teria olhos brilhantes, músculos e abdominais definidos e seria um atleta? Passou-me muita coisa pela cabeça, mas a cara do “pão” da minha turma não me saía da cabeça, e analisando-a outra vez, fez-se luz na minha cabeça: eu já tinha visto aquela cara em algum lado!
O meu cérebro começou a vasculhar as minhas memórias, e depois de tanta procura, achou algo, e foi aí que me recordei daquilo que queria: lembro-me de ver aquela cara na praia, quando fui ver o pôr-do-sol. Apesar de não ter olhado nos olhos dele, lembro-me de ter visto, de raspão, cabelos castanhos com vários tons, mas também me lembro de ter visto roupas descontraídas, algumas iguais às fotos do “pão” da minha turma. Havia demasiadas coincidências, e estava a ficar com medo: seria ele? Não, não podia ser, o meu admirador não parecia ter um estilo tão descontraído como aquele rapaz, porque se tivesse, já me tinha dito tudo o que sente por mim.

Depois de ter descoberto muita coisa, decidi guardar o assunto na gaveta e esperar que o tempo fizesse alguma coisa.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Diário de uma paixão - 4º capítulo

4-  As primeiras palavras doces de um admirador
Nesta manhã que se erguia à minha volta, decidi ir correr para o parque para queimar as calorias que tinha ingerido no dia anterior. Devo ter feito, pelo menos, 5 km a correr, e quando já não aguentava mais, sentei-me num banco.
Naquele banco, sentada a descansar, o meu cérebro parecia estar também a fazer uma corrida, mas em vez de ser pelo parque, era pelas minhas memórias do dia anterior: a tarde na praia, a casa só para mim, as minhas amigas em sarilhos, as flores e a carta… CLICK! No dia anterior, não tinha tido tempo de ver a carta, mas hoje tinha, por isso, corri o mais rápido que pude até casa e entrei de cabeça no meu quarto, só para ver uma maldita carta!
Peguei na carta como quem pega na mão de quem ama e analisei-a de uma ponta à outra, antes de a abrir. Ela não tinha remetente, nem destinatário certo, pois quem queria dirigi-la a mim não sabia o meu nome. Abri-a com receio e um cheiro familiar veio de encontro ao meu nariz: perfume, mas não era um perfume qualquer, e nem era barato, por sinal. Aquele cheiro fazia-me reviver momentos bastante embaraçosos, mas agora isso não interessa para o assunto, porque aquela era a carta mais querida, mas ao mesmo tempo estranha, que alguém já me tinha escrito… Acho que fiquei apaixonada! Ela era mais ou menos assim: “Não te quero fazer sofrer, por isso não ficarás a saber ainda quem sou, mas é apenas até eu sentir que estou preparado para te dizer. Há algum tempo que te observo, e pela primeira vez, pude falar contigo, mas não foi nada daquilo que tinha planeado. De qualquer maneira, também não percebeste que estavas a falar comigo, pois estavas a observar o pôr-do-sol, e parecias estar muito concentrada a fazê-lo. Podia estar aqui o dia todo a dizer-te tudo o que sinto por ti, mas acho que vai ficar para uma próxima.
                                 Um beijo do teu admirador,
                que sonha contigo todas as noites.”
Em relação à outra carta, o que eu tinha visto não era uma carta, mas sim um papel que estava colado à caixa dos bombons, e que dizia: “Esta caixa de bombons é dirigida à miúda mais doce que conheço. De um admirador secreto, também ele doce.” 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Diário de uma paixão - 3º capítulo

3-  A primeira chave do mistério amoroso
Depois de não haver mais pôr-do-sol para contemplar, resolvi pôr-me na alheta e ir para casa, pois a minha mãe, sendo tão protetora como era, já devia ter chamado a polícia para ir à minha procura.
Quando cheguei a casa, fiquei espantada. A minha mãe não estava e tinha-me deixado um bilhete, que dizia mais ou menos isto: “Querida filha, a tua adorada mãe foi sair com as amigas, mas daqui a nada volta logo para junto de ti. O teu pai não pode vir dormir a casa, por isso, deixei-te arroz de pato no forno e pizza no congelador. Tem cuidado e não destruas a casa. Beijos, da tua adorada e querida mãe.” Protetora de mais como sempre… mas aquilo era um sinal: eu tinha a casa só para mim! Naquele momento, pensei apenas em ligar às minhas “idiotas” e convidá-las para virem cá a casa, mas qual não é o meu espanto quando é a mãe delas que atende e diz que “foram fazer um trabalho”. Aquelas duas ainda se vão dar mal…
Como estava cheia de fome, ataquei o arroz de pato que estava no forno e resolvi atacar também a pizza, e mesmo assim continuava faminta. Mas como sou uma pessoa preocupada em manter a linha, fiz umas pipocas e fui ver um filme.
Quando a melhor parte do filme estava a passar, alguém tocou à campainha, o que me deixou bastante irritada: quem seria a “mente perfeita” que estaria à porta de minha casa a estas horas da noite, e com o frio que estava? Só podia ser alguém doido, porque a minha mãe não era de certeza, pois ela tinha a chave de casa consigo, e o meu pai muito menos, pois como a minha mãe disse “ele não pode vir dormir a casa”. E lá fui ver quem era, pronta a dar um sermão a quem fosse, mesmo que fosse a minha mãe a dizer-me que tinha perdido as chaves.

Abri a porta, olhei à volta e nada, ninguém estava à porta, mas quando a ia fechar, desviei o meu olhar para o chão e reparei que alguém tinha deixado um ramo de flores e uma carta, e que por acaso estava tudo dirigido a mim. Fiquei espantada, nunca tinha recebido nada de alguém, a não ser dos meus pais, claro, mas receber algo daquela forma, nunca. De repente, um sono abrasador tomou conta do meu corpo, e só tive tempo de desligar a televisão e meter-me na cama…