8- Um imprevisto familiar intromete-se
no meu caminho e os ciúmes começam a fazer das suas
No dia combinado, apareci mais cedo
em sua casa, e que casa! Era a maior que já tinha visto e fazia-me lembrar os
palácios das histórias que ouvia quando era mais nova, e por momentos, senti
que tinha recuado no tempo e que estava na época dos reis e das rainhas, sendo
eu uma princesa, quem sabe.
Olhando em volta, os meus olhos
avistaram algo magnífico e que parecia chamar-me: o campo de basquetebol.
Aquele campo tinha tudo para ser perfeito, e só de olhar para ele até crescia
água na boca, ou melhor, dava uma energia tremenda que só apetecia gastar, e
nada melhor para fazê-lo do que jogar um jogo?
Estava tão distraída que nem
reparei que alguém me tocava nas costas e voltei-me sobressaltada:
- Não tenha medo. Vinha mesmo só
dizer-lhe que o seu “amigo” está à sua espera.
Naquele momento, as minhas faces
ficaram coradas e fiquei a pensar: será que aquele era mesmo o meu admirador
secreto? Para a criada dele dizer a palavra “amigo” naquele tom era porque ele
nunca tinha levado nenhuma rapariga lá a casa, ou então era porque ele era
daqueles que muda de namorada todas as semanas. Depois daquele momento
estranho, tentei não pensar mais no assunto e resolvi seguir a criada até onde
ela me levasse.
Passaram apenas uns segundos até
avistar o “pão” da minha turma, e ali mesmo, fiquei novamente de boca aberta:
ele também praticava natação? Ali mesmo, percebi que ambos tínhamos imensas
coisas em comum e o assunto que o relacionava com o meu admirador secreto
voltou a ser notícia principal na minha cabeça.
Enquanto a minha cabeça dava uma
volta de 180 graus, a voz da criada interrompeu os meus pensamentos:
- Menino David, a sua madrasta diz
que precisa de falar consigo e ficou à sua espera na sala de estar.
- Eu não acredito, só me faltava
aturar essa mulher a esta hora do dia! Desculpa, Catarina, mas hoje não dá.
Será que posso compensar-te por tudo o que aconteceu hoje convidando-te para
almoçar em minha casa amanhã?
- Sim, claro, eu compreendo. A
família está em primeiro lugar. Então, vemo-nos amanhã.
- Ok. Até amanhã.
Logo que me deixou sozinha, fiquei
tão parada que parecia uma estátua. Como é que ele era capaz de me fazer
aquilo?
Quando
me vi em casa, fiquei assustada: a raiva que eu tinha sentido não era boa e ela
poderia vir a estragar algo que eu pudesse vir a ter com ele. Como é que eu
poderia mudar aquilo? Não sabendo a resposta às minhas perguntas, ainda fiquei
mais assustada: os ciúmes já andavam a fazer das suas!
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