10- Tudo começa a fazer sentido, mas
ainda nem tudo é totalmente nítido
Depois do que tinha acontecido,
resolvi afastar-me dele de uma vez por todas, e meti na minha cabeça que eu não
era miúda para ele, pois ele merecia melhor.
O meu dia-a-dia na escola começou a
tornar-se difícil, e parecia até que andava doente. Sempre que ele olhava para
mim, eu desviava o olhar, e sempre que fazia isso, sentia-me a pior pessoa do
mundo. Enfim, eu não estava a ser uma boa amiga.
Os dias foram passando e a dor
parecia estar a passar, mas eu continuava a não conseguir olhá-lo nos olhos, e
quando eu menos estava à espera, algo me fez despertar para a vida: o David.
O que queria ele agora? Toda a dor
que senti por ele não foi o suficiente? O único pensamento que tive foi jogar
aquela carta para o lixo, mas tive vontade de ver o que ele tinha para me
dizer, já que, quando ele tentava falar comigo, eu fugia para longe dele: “A
opinião que deves ter acerca de mim não é a melhor, e a última coisa que tu
queres é voltar a ver-me, mas acho que devias dar-me uma oportunidade para me
exprimir da melhor maneira. A escolha é tua, e só tua, e se ainda quiseres
ouvir o que tenho para dizer, vem ter comigo à praia, onde falámos pela
primeira vez, ou então a minha casa, onde eu estraguei o momento. David.”
Será que agora tudo fazia sentido e
se tornava mais sólido? Será que ele e o meu admirador eram a mesma pessoa? Eu
tinha quase a certeza que as respostas às minhas perguntas estavam corretas,
mas quem me podia dizer que assim era, era o David. Por isso, escrevi-lhe
também uma carta, tentando ser o mais breve possível, e deixei-a à porta de
casa: “Parece que não és o único que acha que não se conseguiu exprimir da
melhor maneira, por isso, aceito o teu convite. Catarina.”
Sem comentários:
Enviar um comentário