3- A primeira
chave do mistério amoroso
Depois de não haver mais pôr-do-sol
para contemplar, resolvi pôr-me na alheta e ir para casa, pois a minha mãe,
sendo tão protetora como era, já devia ter chamado a polícia para ir à minha
procura.
Quando cheguei a casa, fiquei
espantada. A minha mãe não estava e tinha-me deixado um bilhete, que dizia mais
ou menos isto: “Querida filha, a tua adorada mãe foi sair com as amigas, mas
daqui a nada volta logo para junto de ti. O teu pai não pode vir dormir a casa,
por isso, deixei-te arroz de pato no forno e pizza no congelador. Tem cuidado e
não destruas a casa. Beijos, da tua adorada e querida mãe.” Protetora de mais
como sempre… mas aquilo era um sinal: eu tinha a casa só para mim! Naquele
momento, pensei apenas em ligar às minhas “idiotas” e convidá-las para virem cá
a casa, mas qual não é o meu espanto quando é a mãe delas que atende e diz que
“foram fazer um trabalho”. Aquelas duas ainda se vão dar mal…
Como estava cheia de fome, ataquei
o arroz de pato que estava no forno e resolvi atacar também a pizza, e mesmo
assim continuava faminta. Mas como sou uma pessoa preocupada em manter a linha,
fiz umas pipocas e fui ver um filme.
Quando a melhor parte do filme
estava a passar, alguém tocou à campainha, o que me deixou bastante irritada:
quem seria a “mente perfeita” que estaria à porta de minha casa a estas horas
da noite, e com o frio que estava? Só podia ser alguém doido, porque a minha
mãe não era de certeza, pois ela tinha a chave de casa consigo, e o meu pai
muito menos, pois como a minha mãe disse “ele não pode vir dormir a casa”. E lá
fui ver quem era, pronta a dar um sermão a quem fosse, mesmo que fosse a minha
mãe a dizer-me que tinha perdido as chaves.
Abri a porta, olhei à volta e nada,
ninguém estava à porta, mas quando a ia fechar, desviei o meu olhar para o chão
e reparei que alguém tinha deixado um ramo de flores e uma carta, e que por
acaso estava tudo dirigido a mim. Fiquei espantada, nunca tinha recebido nada
de alguém, a não ser dos meus pais, claro, mas receber algo daquela forma,
nunca. De repente, um sono abrasador tomou conta do meu corpo, e só tive tempo
de desligar a televisão e meter-me na cama…
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